Rastreamento do câncer de colo do útero: o que mudou em 2025 e cai na prova

Rastreamento do câncer de colo do útero: o que mudou em 2025 e cai na prova
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Se o seu resumo de preventiva diz “Papanicolau a cada três anos após dois anuais normais, dos 25 aos 64”, ele ficou velho em julho de 2025. A Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13 aprovou a terceira edição das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, do INCA, e trocou o método primário pelo teste de DNA-HPV oncogênico. É o tipo de mudança que a banca adora, porque separa quem estudou pela fonte de quem estudou por resumo.

Rastreamento do câncer de colo do útero: o que mudou em 2025 e cai na prova
Resumo visual do tema. Fonte: Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, INCA, 3ª edição, 2025; Calendário Nacional de Vacinação 2026.

A regra nova em uma linha

Teste de DNA-HPV oncogênico, dos 25 anos, a cada 5 anos após resultado negativo, até o último teste negativo acima dos 60 anos, com colposcopia direta para HPV 16 ou 18 e citologia reflexa para os outros tipos.

O que mudou, lado a lado

Antes de 2025Diretriz de 2025
Exame primárioCitopatológico, o PapanicolauTeste de DNA-HPV oncogênico
Início25 anos25 anos
Intervalo3 anos, após 2 anuais normais5 anos, após teste negativo
Término64 anosÚltimo teste negativo acima dos 60
Papel da citologiaRastreamentoTriagem após HPV positivo não 16/18
CotesteNão previstoExplicitamente não recomendado
AutocoletaNãoSim, por profissional ou autocoleta

Tipos oncogênicos: 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58 e 59; alguns testes incluem 66 e 68.

O fluxograma que vai cair

ResultadoConduta
NegativoRepetir em 5 anos
HPV 16 e/ou 18Colposcopia, direto
Outros tipos oncogênicosCitologia reflexa, na mesma amostra, sem novo pedido
Citologia reflexa ASC-US ou pior, ou insatisfatóriaColposcopia
Citologia reflexa negativaNovo teste de HPV em 12 meses
Novo teste 16/18Colposcopia
Novo teste outros tipos, citologia negativaMais 12 meses
Positivo persistente aos 24 meses, qualquer tipoColposcopia, independentemente da citologia
InválidoNova coleta profissional

Se a amostra foi por autocoleta e precisar de citologia reflexa, a paciente volta para coleta profissional.

Os quatro “não” da diretriz

  1. Não rastrear antes dos 25 anos. Alta prevalência de HPV, baixíssima incidência de câncer, infecções transitórias e risco de sobretratamento com parto prematuro. Teste feito por engano antes dos 25: ignorar o resultado.
  2. Não fazer citologia junto com o teste de HPV.
  3. Não rastrear mulheres sem história de atividade sexual.
  4. Não retestar com HPV quem já tinha indicação de colposcopia pela citologia: vai para a colposcopia.

Situações especiais

SituaçãoRegra
GestanteIgual ao risco padrão; coleta segura, inclusive endocervical, em qualquer idade gestacional
Pós-menopausaIgual ao risco padrão
Histerectomia total por doença benigna, sem lesão de alto grau prévia, exames normaisExcluir do rastreamento
Histerectomia por lesão precursora ou câncerColeta vaginal por pelo menos 25 anos
Mais de 60 anos sem teste prévioFazer um; negativo encerra
Mais de 60 anos com NIC 2, NIC 3 ou AIS tratadosManter até 25 anos após o tratamento
HIV ou imunossupressãoInício após o início da atividade sexual, intervalo de 3 anos, qualquer tipo positivo vai direto à colposcopia, sem encerramento
Vacinada contra HPVRastreia igual

Transição: onde o teste ainda não existe

A implantação é gradual, e a diretriz prevê o cenário: citologia trienal após dois resultados anuais negativos onde o teste de HPV não está disponível. Quando o teste chega, substitui a citologia na próxima data de rastreio e a citologia é interrompida. Essa é a única situação em que a regra antiga ainda é resposta correta, e a questão precisa dizer explicitamente que o teste não está disponível.

Vacina HPV no calendário de 2026

Dose única da HPV4 aos 9 anos, meninas e meninos, resgate até 14 anos, 11 meses e 29 dias, e dos 15 aos 19 anos por estratégia estadual. Três doses, aos 0, 2 e 6 meses, para imunodeprimidos de 9 a 45 anos, vítimas de violência sexual de 15 a 45 anos, usuários de PrEP de 15 a 45 anos e mulheres tratadas por NIC 2, NIC 3 ou AIS. O rastreamento não muda pelo status vacinal.

Os erros que mais reprovam

  1. Marcar “citologia a cada três anos” numa questão que não diz que o teste de HPV está indisponível.
  2. Mandar HPV 31 positivo direto para a colposcopia.
  3. Mandar HPV 16 positivo para citologia reflexa.
  4. Rastrear a paciente de 22 anos “porque ela pediu”.
  5. Pedir coteste.
  6. Encerrar o rastreamento da mulher com HIV aos 60.
  7. Esquecer os 24 meses: persistência de qualquer tipo oncogênico por dois anos vai para colposcopia mesmo com citologia normal.

Questão no estilo das provas de residência

Mulher de 41 anos, vivendo com HIV, em TARV com carga viral indetectável, realiza teste de DNA-HPV oncogênico, que resulta positivo para o tipo 45 e negativo para 16 e 18. Qual a conduta?

A) Citologia reflexa; se negativa, repetir o teste em 12 meses. B) Colposcopia, independentemente da citologia reflexa. C) Repetir o teste de DNA-HPV em 3 anos. D) Repetir o teste de DNA-HPV em 5 anos.

Resposta: B.

Em mulheres vivendo com HIV ou em outra situação de imunossupressão, a diretriz recomenda encaminhamento para colposcopia após qualquer tipo oncogênico detectado, independentemente da citologia reflexa. A alternativa A é a conduta para a população de risco padrão. As alternativas C e D descrevem intervalos de repetição após teste negativo: 3 anos na imunossupressão, 5 anos no risco padrão. O teste aqui é positivo.

Perguntas frequentes

Qual é o exame de rastreamento do câncer de colo do útero no SUS em 2025?

O teste de DNA-HPV oncogênico, pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13/2025.

Em que idade começa e termina?

Começa aos 25 anos e termina quando o último teste acima dos 60 anos for negativo.

Qual o intervalo?

Cinco anos após teste negativo. Três anos em mulheres com HIV ou imunossupressão.

HPV 16 ou 18 positivo: o que fazer?

Colposcopia direta.

Outro tipo oncogênico positivo: o que fazer?

Citologia reflexa na mesma amostra. Alterada ou insatisfatória, colposcopia. Negativa, novo teste em 12 meses.

Ainda se faz Papanicolau?

Como rastreamento primário, só onde o teste de HPV ainda não foi implantado, trienal após dois anuais negativos. Como triagem, após HPV positivo não 16/18.

Gestante pode fazer o teste de HPV?

Sim, com coleta segura em qualquer idade gestacional, pelas mesmas regras.

A vacina muda o rastreamento?

Não, por enquanto. Vacinadas seguem as mesmas regras.

Confira sempre as Diretrizes Brasileiras vigentes antes de decisões clínicas. Quer fixar o fluxograma? Treine questões de ginecologia e preventiva no banco de questões.

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