Contracepção na prova: critérios da OMS 2025 e métodos do SUS

Contracepção na prova: critérios da OMS 2025 e métodos do SUS
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Questão de contracepção na prova de residência quase nunca é sobre mecanismo de ação. É sobre elegibilidade: dada uma paciente com uma condição, qual método pode e qual não pode. A referência é o Medical Eligibility Criteria da OMS, que ganhou a 6ª edição em novembro de 2025, e as notas técnicas do Ministério da Saúde de 2025 e 2026, que mudaram o que o SUS oferece e quando. Este guia junta as três.

Contracepção na prova: critérios da OMS 2025 e métodos do SUS
Resumo visual do tema. Fonte: OMS, critérios médicos de elegibilidade para uso de contraceptivos, 6ª edição, 2025; Notas Técnicas 419/2025 e 31/2026 do Ministério da Saúde.

As categorias, em uma frase cada

  • 1: usa sem restrição.
  • 2: usa; as vantagens superam os riscos.
  • 3: em geral não usa; os riscos superam as vantagens.
  • 4: não usa; risco inaceitável.

Os métodos do SUS em 2025

Preservativo externo e interno, pílula combinada, pílula de progestagênio, injetável mensal e trimestral, laqueadura, vasectomia, DIU de cobre T380A e, desde julho de 2025, implante de etonogestrel 68 mg para mulheres de 14 a 49 anos, com oferta prioritária na APS. O DIU hormonal não está na distribuição regular.

Médicos e enfermeiros habilitados inserem e retiram DIU e implante. Prescrever contraceptivo para adolescente, inclusive menor de 14 anos, conforme os critérios de elegibilidade, não é ato ilícito, e o atendimento é sigiloso.

Eficácia em uso típico, pela Nota Técnica 419/2025

MétodoFalha
Preservativo externoaté 18%
Pílulaaté 9%
Laqueadura0,3%
DIU de cobre0,2% ao ano
Implante0,05% ao ano, por até 3 anos

O implante falha menos que a laqueadura. Cai em questão de “método mais eficaz”.

A tabela da OMS, 6ª edição

COC vale para pílula combinada, adesivo e anel. POP é a pílula de progestagênio. DMPA é o injetável trimestral. “I” é iniciar e “C” é continuar, quando diferem.

CondiçãoCOCPOPDMPAImplanteDIU CuDIU LNG
Amamentando < 6 semanas4222
Amamentando 6 semanas a 6 meses3111
Amamentando ≥ 6 meses2111
Não amamenta < 21 dias3; 4 com fator de risco para TEV111
Não amamenta 21 a 42 dias2; 3 com fator de risco111
> 42 dias1111
Tabagismo < 35 anos211111
Tabagismo ≥ 35 anos, < 15 cigarros311111
Tabagismo ≥ 35 anos, ≥ 15 cigarros411111
IMC ≥ 30211111
Hipertensão controlada312111
PA 140-159 / 90-99312111
PA ≥ 160 / ≥ 100423212
Doença vascular423212
Múltiplos fatores de risco CV3/423212
TVP/TEP prévia422212
TVP/TEP aguda433313
Trombofilia conhecida422212
Cirurgia maior com imobilização422212
Doença coronariana4I 2, C 33I 2, C 31I 2, C 3
AVC prévio4I 2, C 33I 2, C 312
Valvopatia complicada411122
LES com antifosfolípide + ou desconhecido433313
Enxaqueca sem aura < 35I 2, C 312212
Enxaqueca sem aura ≥ 35I 3, C 412212
Enxaqueca com aura4I 2, C 3I 2, C 3I 2, C 312
Sangramento inexplicado, antes da avaliação2233I 4, C 2I 4, C 2
Câncer de colo2122I 4, C 2I 4, C 2
Câncer de mama atual444414
Doença trofoblástica com hCG persistente111144
Sepse puerperal44
Aborto séptico111144
Menarca a < 20 anos112122
Nulípara111122

Três regras que substituem a decoreba

  1. Estrogênio e trombose não se misturam. Toda condição trombótica ou vascular é 4 para o combinado e 1 para o DIU de cobre.
  2. Câncer de mama atual é 4 para tudo que tem hormônio, inclusive DIU de levonorgestrel. Só o cobre é 1.
  3. Útero infectado ou com doença suspeita não recebe DIU: sepse puerperal, aborto séptico, câncer de colo não tratado, sangramento inexplicado, doença trofoblástica ativa.

Pós-parto e pós-aborto: a Nota Técnica 31/2026

MétodoQuandoCategoria
DIUAté 10 min após a dequitação ou até 48 h após o parto, vaginal ou cesariana1
DIU48 h a 4 semanas3
DIU≥ 4 semanas1
DIUSepse puerperal4
ImplanteA partir de 24 h após o parto2 entre 48 h e 4 semanas
ImplantePós-aborto1, imediato
DIUPós-aborto não séptico1

Os erros que mais reprovam

  1. Liberar combinado para tabagista de 35 anos “porque fuma pouco” sem contar os cigarros: 15 ou mais é 4.
  2. Confundir enxaqueca com e sem aura. Com aura é 4 em qualquer idade.
  3. Negar DIU de cobre para quem teve trombose. É categoria 1.
  4. Dar DIU de levonorgestrel no câncer de mama. É 4 como os outros hormonais.
  5. Inserir DIU com 10 dias de puerpério. Categoria 3; ou nas 48 horas, ou após 4 semanas.
  6. Dizer que o SUS não tem implante, ou que tem DIU hormonal.
  7. Exigir autorização dos pais para adolescente.

Questão no estilo das provas de residência

Puérpera de 29 anos, 36 horas após parto vaginal sem intercorrências, amamentando, sem comorbidades, deseja contracepção de longa duração antes da alta. Qual a opção adequada e seu respectivo enquadramento?

A) DIU de cobre, categoria 1, inserção possível até 48 horas após o parto. B) DIU de cobre, categoria 3, aguardar 4 semanas. C) Contraceptivo oral combinado, categoria 1, iniciar imediatamente. D) Implante de etonogestrel, categoria 4 por estar amamentando.

Resposta: A.

A inserção de DIU até 48 horas após o parto é categoria 1, e a Nota Técnica 31/2026 prevê exatamente essa janela nas maternidades do SUS. A alternativa B descreve a janela intermediária, de 48 horas a 4 semanas, que é categoria 3 e não se aplica a 36 horas. O combinado em puérpera amamentando com menos de 6 semanas é categoria 4, o que inverte a alternativa C. O implante em lactante é categoria 2, não 4, e pode ser inserido a partir de 24 horas, o que torna a D falsa.

Perguntas frequentes

Quais métodos o SUS oferece?

Preservativos, pílula combinada, pílula de progestagênio, injetáveis mensal e trimestral, laqueadura, vasectomia, DIU de cobre e implante de etonogestrel.

Qual o método mais eficaz do SUS?

O implante, com falha de 0,05% ao ano, menor que a da laqueadura.

O que significa categoria 4 da OMS?

Risco inaceitável: o método não deve ser usado naquela condição.

Tabagista pode usar pílula combinada?

Antes dos 35 anos, categoria 2. A partir dos 35, categoria 3 com menos de 15 cigarros e 4 com 15 ou mais.

Enxaqueca com aura permite pílula combinada?

Não. Categoria 4 em qualquer idade.

Quem teve trombose pode usar DIU?

O de cobre é categoria 1. O hormonal é 2.

Quando inserir DIU após o parto?

Até 48 horas, ou após 4 semanas. Entre esses prazos é categoria 3.

Enfermeiro pode inserir DIU e implante?

Sim, quando habilitado, pela Nota Técnica 419/2025.

Confira sempre os critérios da OMS e as notas técnicas vigentes antes de decisões clínicas. Quer fixar a tabela? Treine questões de ginecologia no banco de questões.

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