Hipertensão arterial: o que mudou na Diretriz Brasileira de 2025

Hipertensão arterial: o que mudou na Diretriz Brasileira de 2025
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A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, publicada pela SBC, pela SBH e pela SBN, é a referência que as bancas vão usar a partir de agora, e ela mudou o que a de 2020 dizia em pelo menos quatro pontos que viram questão: a classificação, a meta, o início do tratamento e o escore de risco. Este guia organiza a diretriz pelo que a prova pergunta.

Hipertensão arterial: o que mudou na Diretriz Brasileira de 2025
Resumo visual do tema. Fonte: Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, SBC, SBH e SBN.

As quatro mudanças, em uma tabela

DBHA 2020DBHA 2025
Categorias abaixo de 140/90Ótima, normal, pré-hipertensãoNormal e pré-hipertensão, de 120 a 139 ou 80 a 89
MetaVariava pelo risco e pela idadeMenor que 130/80 para todos
Início do tratamentoMonoterapia em estágio 1 de baixo risco; combinação nos demaisCombinação dupla em comprimido único para a maioria
Escore de riscoEstratificação própriaEscore PREVENT

Classificação, consultório, 18 anos ou mais

ClassificaçãoPASPAD
Normal< 120e< 80
Pré-hipertensão120-139e/ou80-89
Estágio 1140-159e/ou90-99
Estágio 2160-179e/ou100-109
Estágio 3≥ 180e/ou≥ 110

Classifica pelo maior valor. Sistólica isolada e diastólica isolada recebem o estágio do componente alterado.

Diagnóstico e medida fora do consultório

Hipertensão: 140 e/ou 90 ou mais em duas ocasiões. Equipamento automático de braço. MAPA ou MRPA para confirmar e acompanhar, com estes limiares:

Hipertensão
MAPA 24 h≥ 130/80
MAPA vigília≥ 135/85
MAPA sono≥ 120/70
MRPA≥ 130/80

Avental branco: alta no consultório, normal fora. Mascarada: o contrário. As duas são comuns no estágio 1 e são o motivo de a diretriz insistir na medida fora do consultório.

Risco e causas secundárias

Fatores de risco, lesão de órgão-alvo e doença cardiovascular pesquisados ao diagnóstico e ao menos anualmente. Risco pelo PREVENT, também na pré-hipertensão.

Quando suspeitar de causa secundária:

PistaPense emPeça
Início antes dos 30 ou após 55, súbito, sopro abdominal, EAP súbito, piora da função renal com IECA/BRA, rins assimétricosEstenose de artéria renalDoppler renal, angio-RM ou TC
Resistente com hipocalemia ou nódulo adrenalHiperaldosteronismo primárioAldosterona e renina
Paroxismos de cefaleia, sudorese e palpitaçãoFeocromocitomaMetanefrinas
Ronco, pausas, sonolência, nictúria, cefaleia matinalApneia obstrutiva do sonoPolissonografia
Pulsos de MMII fracos, PAS 10 mmHg maior nos braços, sopro interescapularCoarctação de aortaEcocardiograma, angio-RM
Edema, anemia, creatinina alta, sedimento alteradoDoença renal parenquimatosaCreatinina, urina, albuminúria, USG
Fadiga, ganho de pesoHipotireoidismoTSH e T4 livre

Quando tratar

PAConduta
≥ 120/80Medidas não medicamentosas para todos
130-139/80-89 com risco CV alto3 meses de MNM; sem meta, medicamento
≥ 140/90Medicamento

Meta: < 130/80 para todos

Hipertensos de qualquer risco, pré-hipertensos de alto risco, coronariopatas, diabéticos, DRC, obesos, AVC prévio, IC com fração preservada ou reduzida, resistentes e a maioria dos idosos. Quem não tolera: o menor valor tolerado. Confirmar a meta com MAPA ou MRPA.

MNM com número

Sódio abaixo de 2 g/dia, que são 5 g de sal; IMC abaixo de 25; 150 minutos por semana de aeróbico moderado ou 75 de vigoroso, mais fortalecimento duas vezes por semana; mais potássio, exceto na DRC; dieta DASH; pouco álcool; não fumar.

Tratamento: dois fármacos, dose baixa, comprimido único

Classes preferenciais, com força forte e certeza alta: diurético tiazídico ou similar, IECA ou BRA, BCC. Esquema padrão: IECA ou BRA + BCC e/ou diurético.

Betabloqueador só com indicação: IC, FA, arritmias, DAC, hemodiálise, enxaqueca, tremor essencial, varizes esofágicas, mulheres que desejam engravidar.

Monoterapia: pré-hipertensão de alto risco; estágio 1 de baixo risco, a critério; frágeis; 80 anos ou mais ou hipotensão ortostática sintomática.

Retorno a cada 4 semanas até a meta.

Resistente e refratária

Resistente: acima da meta com três classes sinérgicas em dose máxima tolerada, de preferência tiazídico + IECA ou BRA + BCC de longa ação, por 30 a 60 dias, afastada pseudorresistência; ou controlada com quatro ou mais fármacos. Refratária: não controlada com cinco ou mais, incluindo antagonista mineralocorticoide. Confirmar com MAPA. Quarto fármaco: espironolactona, ou eplerenona. Resistente é indicação de rastrear causa secundária.

Crise hipertensiva

Sem lesão aguda de órgão-alvoEmergência, com lesão aguda
Nome antigoUrgênciaEmergência
OndeAmbulatórioUTI
ComoIntroduzir ou ajustar oralIntravenoso com monitorização
AlvoPAS < 160 e PAD < 100 em 1 a 7 diasReduzir 25% na 1ª hora; 160/100-110 em 2 a 6 h; normal em 24 a 48 h
ExceçõesDissecção de aorta: PAS < 120 na 1ª hora

Fármacos IV: nitroprussiato para a maioria; nitroglicerina na síndrome coronariana e no EAP; metoprolol e esmolol na dissecção e na coronariana; hidralazina na eclâmpsia; fentolamina no excesso de catecolaminas.

Os erros que mais reprovam

  1. Chamar 135/85 de “normal”. É pré-hipertensão.
  2. Aceitar 135/85 como meta num diabético. A meta é < 130/80.
  3. Iniciar monoterapia em estágio 2.
  4. Começar com betabloqueador sem indicação específica.
  5. Diagnosticar resistência sem afastar pseudorresistência e sem MAPA.
  6. Internar e baixar rápido uma pressão de 190/115 sem lesão aguda.
  7. Baixar a pressão de uma dissecção de aorta “em 25%” em vez de PAS < 120.

Questão no estilo das provas de residência

Mulher de 64 anos, diabética, em uso de losartana 100 mg, anlodipino 10 mg e hidroclorotiazida 25 mg há 4 meses, com boa adesão relatada, apresenta PA de 148 por 92 mmHg no consultório. A MAPA confirma média de 24 horas de 141 por 88 mmHg. Qual o próximo passo?

A) Trocar o anlodipino por betabloqueador. B) Acrescentar espironolactona e investigar causa secundária. C) Manter o esquema, porque a meta para diabéticos é menor que 140 por 90. D) Aumentar a hidroclorotiazida para 50 mg e reavaliar em 6 meses.

Resposta: B.

A paciente está acima da meta de 130 por 80 com três classes sinérgicas, incluindo diurético, em doses plenas, por mais de 30 a 60 dias, com adesão relatada e MAPA confirmando: é hipertensão resistente verdadeira. O quarto fármaco recomendado é a espironolactona, e a resistência é gatilho para rastrear causa secundária, como hiperaldosteronismo primário e apneia do sono. A alternativa A troca uma classe preferencial por um betabloqueador sem indicação. A C usa a meta antiga; a diretriz de 2025 recomenda menor que 130 por 80 também para diabéticos. A D não resolve a resistência e atrasa a reavaliação, que deve ser a cada 4 semanas.

Perguntas frequentes

O que é pré-hipertensão na diretriz de 2025?

PAS de 120 a 139 e/ou PAD de 80 a 89 no consultório.

Qual a meta pressórica?

Menor que 130/80 mmHg para todos os hipertensos, incluindo diabéticos, renais crônicos e a maioria dos idosos.

Como começar o tratamento?

Com dois fármacos em dose baixa, preferencialmente em comprimido único, entre tiazídico, IECA ou BRA e BCC.

Quando a monoterapia é aceitável?

Pré-hipertensão de alto risco, estágio 1 de baixo risco, frágeis e 80 anos ou mais.

Qual escore de risco a diretriz usa?

O PREVENT.

Qual o quarto fármaco na hipertensão resistente?

Espironolactona, ou eplerenona se houver intolerância.

Como reduzir a pressão na emergência hipertensiva?

25% na primeira hora, 160/100-110 em 2 a 6 horas, normalização em 24 a 48 horas. Na dissecção de aorta, PAS abaixo de 120 na primeira hora.

Quanto de sódio o hipertenso pode consumir?

Menos de 2 g por dia, o equivalente a 5 g de sal.

Confira sempre a Diretriz Brasileira de Hipertensão vigente antes de decisões clínicas. Quer fixar as metas e os limiares? Treine questões de cardiologia no banco de questões.

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