Tuberculose: esquema de tratamento do Ministério da Saúde

Tuberculose: esquema de tratamento do Ministério da Saúde
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O tratamento da tuberculose sensível no Brasil, em adultos e adolescentes a partir de 10 anos, é o esquema básico 2RHZE/4RH: dois meses de rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, seguidos de quatro meses de rifampicina e isoniazida, num total de pelo menos seis meses. A dose é definida pela faixa de peso, com comprimidos em dose fixa combinada. As exceções que mais caem em prova são a TB óssea e a do sistema nervoso central, tratadas por 12 meses, e o esquema encurtado de 4 meses para crianças e adolescentes com doença não grave.

Antes: existe “PCDT da tuberculose”?

É a busca mais comum sobre o tema, e a resposta é que não existe um documento com esse nome para a tuberculose ativa. A referência oficial é o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, do Ministério da Saúde, atualizado por notas informativas da Coordenação-Geral de Vigilância da Tuberculose. É nelas que estão as mudanças recentes.

Se você procura a infecção latente, a ILTB, o tratamento é outro, com esquemas próprios como o 3HP. Temos um post só sobre infecção latente por tuberculose.

O esquema básico

O tratamento tem duas fases:

FaseDuraçãoMedicamentosDoses
Intensiva, ou fase 12 mesesRifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol (RHZE)pelo menos 60 doses
Manutenção, ou fase 24 mesesRifampicina e isoniazida (RH)pelo menos 120 doses

Vale para tuberculose pulmonar e extrapulmonar em adultos e adolescentes com 10 anos ou mais.

Doses por faixa de peso

Os comprimidos são em dose fixa combinada.

Na fase intensiva, cada comprimido de RHZE tem rifampicina 150 mg, isoniazida 75 mg, pirazinamida 400 mg e etambutol 275 mg:

PesoRHZE por dia
20 a 35 kg2 comprimidos
36 a 50 kg3 comprimidos
51 a 70 kg4 comprimidos
Acima de 70 kg5 comprimidos

Na fase de manutenção, o RH existe em duas apresentações: dose plena, com rifampicina 300 mg e isoniazida 150 mg, e meia dose, com rifampicina 150 mg e isoniazida 75 mg:

PesoRH por dia
20 a 35 kg1 comprimido de 300/150 mg
36 a 50 kg1 comprimido de 300/150 mg + 1 comprimido de 150/75 mg
51 a 70 kg2 comprimidos de 300/150 mg
Acima de 70 kg2 comprimidos de 300/150 mg + 1 comprimido de 150/75 mg

A dose acompanha o peso ao longo do tratamento. Nos retornos mensais, ganho ou perda de peso que mude a faixa exige ajuste.

Quando o tratamento dura 12 meses

Na tuberculose óssea e na tuberculose do sistema nervoso central, o tratamento é de 12 meses: 2 meses de fase intensiva e 10 meses de fase de manutenção.

É a pegadinha clássica. A questão descreve meningite tuberculosa ou mal de Pott e oferece “6 meses” entre as alternativas.

Crianças e o esquema encurtado de 4 meses

Em crianças com menos de 10 anos, o esquema básico não usa etambutol: é RHZ na fase intensiva e RH na manutenção.

Desde 2024, com base em recomendação da Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde implantou o tratamento encurtado de 4 meses, pela Nota Informativa nº 5/2024. Ele vale para crianças de 3 meses a 10 anos e adolescentes de 10 a 16 anos com tuberculose sensível não grave, sem suspeita de resistência. Os medicamentos são os mesmos do esquema básico. O que muda é a duração da fase de manutenção, que cai de 4 para 2 meses.

FaixaTB pulmonar não graveTB pulmonar grave
Crianças de 3 meses a menos de 10 anos2RHZ / 2RH2RHZ / 4RH
Crianças de 10 anos ou mais e adolescentes até 16 anos2RHZE / 2RH2RHZE / 4RH

É considerada não grave, segundo a nota:

  • Sintomas leves, sem necessidade de internação
  • Tuberculose ganglionar periférica isolada, sem envolvimento de outros locais extrapulmonares
  • Doença intratorácica sem sinais de obstrução de vias aéreas
  • Doença pulmonar paucibacilar, não cavitária, confinada a um lobo, sem padrão miliar
  • Tuberculose pleural não complicada, sem pneumotórax nem empiema
  • Teste rápido molecular não detectado ou detectado com traços, ou baciloscopia negativa

Se a evolução for insatisfatória, o tratamento encurtado é convertido: a fase de manutenção volta de 2 para 4 meses.

E os adultos? Existe esquema de 4 meses?

Pergunta frequente, porque a OMS recomendou em 2022 um esquema de 4 meses com rifapentina e moxifloxacino para adolescentes a partir de 12 anos e adultos. No Brasil, até a norma vigente em 2026, o esquema para adultos continua sendo o básico de 6 meses. O encurtamento adotado pelo Ministério vale só para crianças e adolescentes de 3 meses a 16 anos com doença não grave.

E a rifapentina, no SUS, aparece no tratamento da infecção latente, no esquema 3HP. Não no tratamento da doença.

Situações especiais

Gestantes: esquema básico, com as doses habituais pelo peso, associado à piridoxina.

Diabetes: esquema básico por pelo menos 6 meses, com piridoxina 50 mg por dia. A rifampicina interfere nos hipoglicemiantes orais e dificulta o controle glicêmico, então glicemia e baciloscopia são monitoradas todo mês. Se a baciloscopia demorar a negativar, o tratamento pode ser prorrogado para 9 meses, com baciloscopia e cultura no sexto e no nono mês. Se o controle glicêmico não for atingido com hipoglicemiante oral, inicia-se insulina.

Pessoas vivendo com HIV: o tempo de tratamento é definido considerando o grau de imunossupressão, a terapia antirretroviral e outras infecções oportunistas, com acompanhamento no serviço especializado.

Piridoxina é recomendada para gestantes, pessoas com coinfecção TB-HIV, pelo risco de neuropatia periférica, e pessoas com diabetes, entre outras situações.

Acompanhamento

O Tratamento Diretamente Observado, o TDO, deve ser oferecido a todas as pessoas com tuberculose e pode ser feito na unidade básica de saúde.

Nos retornos mensais, pede-se baciloscopia de controle. Baciloscopia ainda positiva no segundo mês leva a cultura com teste de sensibilidade. Se o teste mostrar sensibilidade, mantém-se o esquema básico, com cultura de controle no quarto e no sexto mês.

Tuberculose drogarresistente

Em 2025, o Ministério da Saúde atualizou as recomendações para tuberculose drogarresistente, com a incorporação da pretomanida ao SUS, e atualizou a classificação, incluindo a definição de TB pré-XDR. Algumas definições cobradas em prova:

  • Monorresistência: resistência a um único fármaco. As de vigilância são à rifampicina ou à isoniazida.
  • Polirresistência: resistência a dois ou mais fármacos, exceto a associação rifampicina e isoniazida.
  • TB RR: resistência à rifampicina identificada pelo teste rápido molecular, ainda sem teste de sensibilidade aos outros fármacos.

Os esquemas para TB drogarresistente são individualizados e conduzidos em referência especializada.

Como isso cai na prova

TemaComo costuma ser cobrado
Esquema básicoCaso de TB pulmonar em adulto, perguntando esquema e duração
Meningite tuberculosa ou TB ósseaAlternativa de 6 meses como pegadinha. O certo é 12
Criança com menos de 10 anosEsquema sem etambutol
Esquema encurtadoCritérios de doença não grave e faixa etária de 3 meses a 16 anos
Diabetes e TBInteração da rifampicina e prorrogação para 9 meses
ILTB contra TB doençaConfundir o 3HP com o tratamento da doença
Classificação de resistênciaPolirresistência que exclui a combinação R + H

Questão comentada

Homem de 42 anos, 64 kg, com tosse há seis semanas, perda de peso e baciloscopia positiva. Radiografia com cavitação em lobo superior direito. Sem comorbidades, HIV negativo. Qual o tratamento?

A) Esquema básico por 4 meses, com rifapentina e moxifloxacino.
B) Esquema básico 2RHZE/4RH, com 4 comprimidos de RHZE por dia na fase intensiva.
C) Esquema básico 2RHZE/10RH, por se tratar de doença cavitária.
D) Isoniazida com rifapentina semanal por 3 meses.

Resposta: B.

É um adulto com tuberculose pulmonar sensível. O tratamento é o esquema básico de 6 meses, e com 64 kg ele está na faixa de 51 a 70 kg, que recebe 4 comprimidos de RHZE por dia na fase intensiva. A alternativa A descreve um esquema recomendado pela OMS que não é o adotado para adultos no Brasil. A alternativa C troca a regra: os 12 meses valem para TB óssea e do sistema nervoso central, não para doença cavitária. A alternativa D é o 3HP, esquema de infecção latente, não de doença ativa.

Perguntas frequentes

Qual é o esquema de tratamento da tuberculose?

Em adultos e adolescentes a partir de 10 anos, o esquema básico 2RHZE/4RH: 2 meses de rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, e 4 meses de rifampicina e isoniazida.

Existe PCDT de tuberculose?

Não com esse nome para a tuberculose ativa. A referência é o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, do Ministério da Saúde, atualizado por notas informativas.

Quanto tempo dura o tratamento da tuberculose?

Pelo menos 6 meses no esquema básico. Na tuberculose óssea e do sistema nervoso central, 12 meses. Em crianças e adolescentes de 3 meses a 16 anos com doença não grave, 4 meses.

Como é calculada a dose?

Pela faixa de peso, com comprimidos em dose fixa combinada. Na fase intensiva, de 2 a 5 comprimidos de RHZE por dia, de acordo com o peso.

Criança pode tomar etambutol?

No esquema para crianças com menos de 10 anos, o etambutol não é usado. A partir de 10 anos, entra no esquema.

O esquema de 4 meses vale para adultos?

Não. No Brasil, o encurtamento vale para crianças e adolescentes de 3 meses a 16 anos com tuberculose sensível não grave. Adultos seguem o esquema básico de 6 meses.

Gestante pode tratar tuberculose?

Sim, com o esquema básico nas doses habituais pelo peso, associado à piridoxina.

O que é o TDO?

É o Tratamento Diretamente Observado, em que a tomada da medicação é acompanhada por um profissional de saúde. Deve ser oferecido a todas as pessoas com tuberculose.

Qual a diferença entre o tratamento da ILTB e o da tuberculose?

A ILTB é a infecção latente, sem doença ativa, tratada com esquemas como o 3HP. A tuberculose doença é tratada com o esquema básico RHZE e RH.

Confira sempre o Manual de Recomendações e as notas informativas vigentes do Ministério da Saúde antes de decisões clínicas. Quer fixar o tema? Treine questões de tuberculose no banco de questões.

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